Patente: como proteger uma invenção antes de levar ao mercado

Uma apresentação empolgada em congresso pode custar a novidade da sua invenção. Entenda a ordem certa.

Transferência de tecnologia
CBClovis Barreto Silva Junior
3 min de leitura
Ilustração do artigo: como registrar patente
Resumo
  • No Brasil, patentes são concedidas pelo INPI e protegem invenções que sejam novas, tenham atividade inventiva e aplicação industrial.
  • Publicar antes de depositar pode comprometer a patente. A lei prevê um período de graça, mas ele tem limites.
  • Em pesquisas feitas na universidade, o caminho passa pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT).

O que a patente protege

A patente é um título concedido pelo Estado que dá ao titular o direito de impedir que terceiros produzam, usem ou vendam a invenção sem autorização, por um período determinado. Em troca, a invenção é descrita publicamente, para que o conhecimento circule.

No Brasil, o tema é regulado pela Lei da Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/1996) e o pedido é feito no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Existem dois tipos principais:

  • Patente de invenção: protege uma solução nova para um problema técnico. Vigência de 20 anos a partir do depósito.
  • Modelo de utilidade: protege uma melhoria funcional em um objeto já existente. Vigência de 15 anos a partir do depósito.

Os três requisitos

  1. Novidade: a invenção não pode estar no estado da técnica, ou seja, não pode ter sido divulgada antes em lugar nenhum do mundo.
  2. Atividade inventiva: não pode ser uma solução óbvia para um especialista da área.
  3. Aplicação industrial: precisa poder ser produzida ou usada em algum tipo de indústria.

Leia também: Transferência de tecnologia: como licenciar uma tecnologia da universidade e Investimento em startups: qual capital buscar em cada fase.

O cuidado que mais trava spin-offs: divulgar antes de depositar

Artigos, teses, apresentações em eventos e até posts podem tornar a invenção pública e comprometer o requisito de novidade. A lei brasileira prevê um período de graça de 12 meses para divulgações feitas pelo próprio inventor antes do depósito, mas esse mecanismo não é reconhecido da mesma forma em todos os países. Se a ideia é proteger a invenção também fora do Brasil, o mais seguro é depositar antes de divulgar.

Como funciona o caminho da patente

  1. Busca de anterioridade: verificar se já existe algo igual ou parecido em bases de patentes e artigos.
  2. Redação do pedido: relatório descritivo, reivindicações, desenhos e resumo. A qualidade das reivindicações define o alcance da proteção.
  3. Depósito no INPI: a partir daqui, a data de prioridade está garantida.
  4. Exame: o INPI analisa os requisitos. O processo pode levar anos.
  5. Proteção internacional: pelo tratado PCT, é possível estender o pedido a outros países dentro de prazos definidos a partir da data de prioridade.

E quando a invenção nasce na universidade?

Se a pesquisa usou estrutura, recursos ou vínculo de uma instituição pública, a titularidade costuma ser da instituição, às vezes compartilhada com quem financiou o projeto. O depósito e o licenciamento passam pelo NIT. Para a spin-off, o importante é negociar desde cedo o acordo de licenciamento, porque é ele que dá à empresa o direito de explorar a tecnologia.

Perguntas frequentes

Software pode ser patenteado no Brasil?

O programa de computador em si é protegido por direito autoral e pode ser registrado no INPI. Invenções que envolvem software podem ser patenteáveis quando resolvem um problema técnico, mas cada caso precisa de análise.

Preciso de patente para captar investimento?

Não é obrigatório, mas uma proteção bem estruturada, ou um licenciamento claro, aumenta muito a confiança de investidores em negócios de base científica.

Quanto custa uma patente?

Há taxas do INPI e, em geral, honorários de quem redige o pedido. Universidades costumam arcar com os custos quando são titulares.

CB
Clovis Barreto Silva JuniorAdministrador · Estruturação & inovação

Advogado especialista em tecnologia e inovação, com mais de dez anos em multinacionais e docência universitária. Cuida da estruturação das spin-offs e da relação com as universidades.

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