Transferência de tecnologia: como licenciar uma tecnologia da universidade

O papel do NIT, os modelos de licença e o que negociar antes de abrir o CNPJ.

Transferência de tecnologia
CBClovis Barreto Silva Junior
3 min de leitura
Ilustração do artigo: transferência de tecnologia
Resumo
  • Transferência de tecnologia é o processo pelo qual um conhecimento gerado na pesquisa passa a ser explorado por uma empresa.
  • Nas universidades, quem conduz esse processo é o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT).
  • Os termos da licença, como exclusividade, royalties e prazos, definem o que a empresa pode fazer e o que o investidor vai encontrar.

O que é transferência de tecnologia

Transferência de tecnologia é o processo de levar um conhecimento, uma invenção ou um know-how de quem o desenvolveu para quem vai usá-lo comercialmente. No contexto acadêmico, significa permitir que uma empresa, nova ou já existente, explore uma tecnologia criada na universidade.

No Brasil, a Lei de Inovação e o Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação estabelecem as bases para que instituições públicas licenciem suas tecnologias e participem desse processo.

O papel do NIT

O Núcleo de Inovação Tecnológica é a estrutura da universidade responsável por gerir a propriedade intelectual e negociar sua transferência. É com o NIT que a empresa conversa para entender quais tecnologias estão disponíveis, como elas estão protegidas e em que condições podem ser licenciadas. Na UFSC, esse papel é da Secretaria de Inovação (SINOVA).

Leia também: Investimento em startups: qual capital buscar em cada fase e MVP: como validar uma tecnologia com o mínimo produto viável.

Modelos de licença

  • Licença exclusiva: só a empresa licenciada pode explorar a tecnologia, normalmente em um campo de aplicação ou território definido.
  • Licença não exclusiva: a universidade pode licenciar a mesma tecnologia para outras empresas.
  • Cessão: a titularidade é transferida, em casos previstos na política da instituição.
  • Know-how e serviços técnicos: além da patente, o conhecimento dos pesquisadores pode ser objeto de contrato.

O que negociar antes de abrir o CNPJ

  1. Escopo: quais aplicações, mercados e territórios a licença cobre.
  2. Exclusividade: se ela existe, em que campo e sob que condições se mantém.
  3. Remuneração: royalties, pagamentos por marco, participação societária ou combinação.
  4. Prazos e metas: o que a empresa precisa cumprir para manter a licença.
  5. Melhorias: de quem é a propriedade intelectual das melhorias feitas depois.
  6. Sublicenciamento: se a empresa pode licenciar a tecnologia a terceiros.

Esses termos aparecem em toda conversa com investidor. Um acordo claro facilita a negociação do term sheet e protege a empresa no longo prazo.

Proteção vem antes da divulgação

Se a tecnologia ainda não está protegida, o primeiro passo é conversar com o NIT antes de publicar ou apresentar resultados. Divulgações prematuras podem comprometer a proteção. Entenda o motivo no artigo sobre patentes.

Perguntas frequentes

Só pesquisadores da universidade podem licenciar a tecnologia?

Não. Empresas externas também podem licenciar tecnologias universitárias, seguindo as regras de cada instituição.

Quanto custa licenciar uma tecnologia?

Não há valor padrão. A remuneração depende do estágio da tecnologia, do mercado e da negociação com o NIT.

A universidade pode ter participação na empresa?

Em alguns casos, sim, conforme a legislação e a política de cada instituição.

CB
Clovis Barreto Silva JuniorAdministrador · Estruturação & inovação

Advogado especialista em tecnologia e inovação, com mais de dez anos em multinacionais e docência universitária. Cuida da estruturação das spin-offs e da relação com as universidades.

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