Pitch deck: modelo de 10 slides para startups de base científica

A ordem dos slides, o que cortar e como explicar a tecnologia sem afogar o investidor em jargão.

Captação
RZRafael Laguna Zambelli
3 min de leitura
Ilustração do artigo: pitch deck
Resumo
  • Pitch deck é a apresentação curta que resume o negócio para investidores, parceiros e clientes estratégicos.
  • Em startups científicas, o maior risco é transformar o deck em defesa de tese: tecnologia demais, mercado de menos.
  • Dez slides bem escolhidos bastam. O resto vai para o anexo e para o data room.

O que é um pitch deck

Pitch deck é uma apresentação curta, geralmente entre 10 e 15 slides, que conta a história do negócio: que problema ele resolve, para quem, como, por que agora e por que esse time. Ele serve para abrir conversas, não para fechar o investimento. Os detalhes vêm depois, nas reuniões e na análise do investidor.

O modelo de 10 slides

  1. Problema: a dor do cliente, com um número que mostre o tamanho dela.
  2. Solução: o que a empresa entrega, descrito pelo resultado, não pela técnica.
  3. Tecnologia e diferencial: por que é difícil copiar. Patente, know-how, dados, parcerias.
  4. Mercado: quem compra, quantos são e quanto pagam hoje para resolver o problema.
  5. Modelo de negócio: como a empresa ganha dinheiro e quanto vale cada cliente.
  6. Tração: pilotos, clientes, receita, cartas de intenção, parcerias industriais.
  7. Concorrência: as alternativas que o cliente usa hoje e por que a sua é melhor.
  8. Time: quem faz o quê, com destaque para quem vai vender.
  9. Plano e uso dos recursos: quanto você está captando e que marcos esse dinheiro destrava.
  10. Contato e próximo passo: o que você quer que o investidor faça depois da reunião.

Leia também: Investimento em startups: qual capital buscar em cada fase e Valuation de startup: como calcular o valor de uma empresa em estágio inicial.

Como falar da tecnologia sem jargão

Comece pelo efeito, não pelo mecanismo. Em vez de explicar o princípio físico, diga o que muda para o cliente: menos custo, mais velocidade, um resultado que antes era impossível. Uma imagem ou um gráfico de antes e depois vale mais que três parágrafos técnicos. Se o investidor quiser se aprofundar, ele vai pedir, e aí o anexo técnico entra em cena.

Em spin-offs, inclua também o nível de maturidade da tecnologia e a situação da propriedade intelectual. São perguntas que vão aparecer de qualquer forma. Para entender esse ponto, veja o artigo sobre patentes.

O que cortar

  • Histórico detalhado da pesquisa.
  • Fórmulas, diagramas complexos e tabelas extensas.
  • Projeções financeiras com dez anos de detalhe.
  • Slides que repetem a mesma ideia com outras palavras.

Antes de enviar

Tenha duas versões: uma para enviar por e-mail, que precisa se explicar sozinha, e outra para apresentar ao vivo, mais visual. E prepare a próxima etapa: um data room organizado com cap table, contratos de licença, documentação técnica e números. Se o investidor gostar do deck, é para lá que ele vai olhar.

Perguntas frequentes

Quantos slides deve ter um pitch deck?

Entre 10 e 15 é o mais comum. O importante é que cada slide responda a uma pergunta que o investidor vai fazer.

Devo colocar o valuation no deck?

Normalmente não. O deck mostra quanto você está captando e para quê. O valuation costuma ser discutido na negociação.

O mesmo deck serve para cliente e investidor?

Não. O cliente quer saber como você resolve o problema dele. O investidor quer saber como o negócio cresce e devolve o capital.

RZ
Rafael Laguna ZambelliSócio · Escala & mercado

Fundou e liderou a Checklist Fácil por 16 anos, levando a empresa a 16 países. Ex-membro do Comitê Executivo do Grupo Softplan.

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