Spin-off: o que é e como transformar pesquisa em empresa

O que muda quando a tecnologia sai do laboratório: titularidade da propriedade intelectual, acordo com a universidade, primeiro modelo de negócio e os erros que travam a decolagem.

Spin-offs & Ciência
CBClovis Barreto Silva Junior
3 min de leitura
Ilustração do artigo: spin-off universitária
Resumo
  • Spin-off universitária é a empresa criada para levar ao mercado uma tecnologia desenvolvida na universidade.
  • Antes de abrir o CNPJ, resolva quem é dono da propriedade intelectual e como ela será licenciada.
  • O primeiro cliente vale mais que o produto perfeito: comece com um piloto pago.

O que é uma spin-off universitária

Uma spin-off universitária é uma empresa criada para explorar comercialmente um conhecimento ou uma tecnologia que nasceu dentro de uma universidade ou instituto de pesquisa. Em geral, os pesquisadores que desenvolveram a tecnologia participam da empresa, como sócios ou como responsáveis técnicos.

No Brasil, a Lei de Inovação (Lei 10.973/2004) e o Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação (Lei 13.243/2016) criaram as bases para que pesquisadores de instituições públicas participem desse tipo de empresa e para que a universidade licencie sua tecnologia a ela.

Quem é dono da tecnologia

Essa é a primeira pergunta que um investidor faz e a que mais trava spin-offs. Quando a pesquisa foi feita com estrutura, recursos ou vínculo da universidade, a titularidade da propriedade intelectual normalmente é da instituição, ou é compartilhada com quem financiou o projeto.

Por isso, o caminho passa pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da universidade, que negocia o licenciamento. Na UFSC, esse papel é da Secretaria de Inovação (SINOVA). Os modelos de licença estão detalhados em transferência de tecnologia.

ModeloComo funcionaQuando faz sentido
Licença exclusivaSó a spin-off pode explorar a tecnologia, mediante royalties ou participaçãoQuando a empresa precisa de exclusividade para atrair investimento
Licença não exclusivaA universidade pode licenciar para outras empresasTecnologias de plataforma, com vários mercados possíveis
CessãoA titularidade é transferida para a empresaCasos específicos, previstos na política da instituição

Leia também: Deep tech: o que é e por que o Brasil precisa delas e Investimento em startups: qual capital buscar em cada fase.

O caminho em cinco etapas

É o mesmo ciclo que usamos na aceleração, com as cinco penas da nossa marca:

  1. Diagnóstico: em que nível de maturidade está a tecnologia e qual problema de mercado ela resolve.
  2. Modelagem: modelo de negócio, estrutura societária e acordo de licenciamento com a universidade.
  3. Tração: pilotos com empresas reais, de preferência pagos.
  4. Escala: canais de venda, operação e governança.
  5. Captação: pitch, data room e conversa com anjos, fundos e investidores estratégicos.
O primeiro cliente vale mais que o produto perfeito.

Erros que travam a decolagem

  • Abrir a empresa antes de resolver a PI. Sem licença assinada, não há o que vender nem o que mostrar ao investidor.
  • Sócios sem papéis definidos. Pesquisador, gestor e investidor precisam de acordo de sócios com vesting e regras de saída. Veja como em cap table e vesting.
  • Vender a tecnologia, e não a solução. O cliente compra resultado. O artigo científico fica para o anexo.
  • Esperar o produto ficar pronto. Pilotos e cartas de intenção validam mercado muito antes da versão final, como explicamos no artigo sobre MVP.

O que o investidor vai perguntar

Quem é dono da propriedade intelectual e em que condições ela está licenciada. Quanto tempo os pesquisadores vão dedicar à empresa. Quem já testou a solução e quanto pagou por isso. E, principalmente, como o dinheiro da rodada vai virar receita.

Perguntas frequentes

Professor de universidade pública pode ser sócio de uma spin-off?

Sim. A legislação de inovação prevê a participação de pesquisadores públicos em empresas de base tecnológica, observadas as regras de cada instituição e do regime de dedicação. Vale consultar o NIT antes de formalizar.

Preciso de investimento para começar?

Nem sempre. Muitas spin-offs começam com pilotos pagos e recursos de fomento, e buscam investidor depois de validar o mercado.

Qual a diferença entre incubadora e aceleradora?

A incubadora apoia a empresa nos primeiros passos, muitas vezes com espaço físico. A aceleradora trabalha em ciclos mais curtos e intensos, focados em tração e captação.

CB
Clovis Barreto Silva JuniorAdministrador · Estruturação & inovação

Advogado especialista em tecnologia e inovação, com mais de dez anos em multinacionais e docência universitária. Cuida da estruturação das spin-offs e da relação com as universidades.

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